Ambos estão relacionados à prática da política tendo como pano de fundo a história do Homem.
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domingo, 24 de maio de 2009
O futuro é para os pobres, o presente é para os ricos
A entrevista concedida neste fim de semana à revista “Época” pelo ex-presidente da república, Fernando Henrique Cardoso, tem a pretensão no seu título (“O país do futuro já está aqui”) de em um jogo de palavras mexer com a frase que dá título ao famoso livro do escritor austríaco Stefan Zweig (“Brasil, país do futuro”).
Após a leitura, fica nítido que não ultrapassou o limite da pretensão, apesar de algumas tiradas interessantes do “príncipe dos sociólogos”. Mesmo compreendendo-se as sabidas dificuldades no desempenho de uma gestão na presidência, e no seu caso foram duas, o ex-presidente FHC (como permaneceu também conhecido popularmente, por “culpa da imprensa”) equivoca-se ao descolar a constante preocupação do Brasil com desenvolvimento econômico de outras como educação e segurança pública (sentido amplo, incluindo a jurídica).
Muito pelo contrário, a elite brasileira com poder efetivo (só para não misturar com “elite intelectual” que abriga uma parcela sem poder efetivo) construiu o Brasil exatamente como ele, em linhas gerais, permanece: crescendo aqui e ali, mas sistematicamente desigual e injusto.
Os que encaminharam a questão econômica no Brasil de jeito algum descuidaram de olhar "com carinho" a educação, vide no que a transformaram especialmente após o golpe civil-militar de 1964 no século passado.
FHC cita a injustiça e a desigualdade, mas omite-se diretamente de ter participado do aprofundamento do modelo que gera ambas. Preocupou-se em excesso com a estabilidade econômica, que por si só não impulsiona país algum a canto nenhum. E aí está um dos diferenciais entre as suas gestões e as do atual presidente Luis Inácio Lula da Silva, mesmo este não mexendo substancialmente no modelo. Lula ao menos retirou um pouco do muito (e bota muito nisso) que os banqueiros/empresários continuamente ganham e distribuiu entre quem historicamente nada ou quase nada teve.
Isso não é defesa nem ataque a um ou a outro, apenas constatação. Sob este ponto de vista, indague-se a qualquer dona de casa pobre a quem é dirigido o dinheiro do Programa Bolsa Família se a sua vida, sob este ponto de vista, era melhor ou pior antes ou depois de Lula na presidência? A resposta foi dada em 2006 e, dependendo do andamento da atual crise econômica mundial, pode se repetir em 2010, independente do que pessoalmente pensa ou não este que vos escreve.
FHC ao longo da longa entrevista destacou alguns aspectos interessantes. Um deles apareceu ao responder a uma pergunta sobre se o futuro depende, em geral, do engenho humano ele afirma serem necessárias liderança e capacidade “... que não é do líder, é da sociedade, de, num momento histórico, aceitar a inovação. Você não inova quando quer e porque quer. Você inova quando existe alguém ou alguéns, normalmente alguéns, que venham com uma fresta e quando a sociedade se abre para ver a fresta. É difícil porque ao contrário do sentido comum, ninguém gosta de mudar nem de reformar, porque tem medo.
Maquiavel já dizia que o problema da reforma é que os que vão ser beneficiados não sabem que vão ser, e os que vão perder percebem na hora e gritam. Então, não é fácil essa mudança, essa reforma necessária. É preciso liderança, mas não é só liderança – é uma brecha histórica.
Por que eu chamei atenção para a coisa americana da universidade? Porque lá eles rotinizaram a mudança. São predispostos a aceitar a mudança. Vimos agora a eleição do Obama. É uma prova de mudança. Saiu do Bush – que foi eleito, fez guerra e, depois da guerra, foi reeleito – para o contrário. E isso não desorganiza a sociedade”.
No entanto, em outro momento, deixa aparecer uma ponta de inveja ao mencionar que o G-20 (grupo que reúne os países mais ricos e os chamados hoje emergentes com o Brasil aí neste meio) iniciou um processo de discussão sobre um novo pacto internacional (escreveu sobre isso, segundo disse) mas que “...o problema do G-20 é que ele ainda é uma fotografia. Reúne os países para uma fotografia e vai embora, não tem nada por trás (risos).” Será que para ele não faltou a sua foto no lugar da de Lula entre as dos líderes mundiais recentemente reunidos em Londres?
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